Supersônicas

Illy, a nova diva baiana, decola em seu “Voo longe”

quinta, 26 de abril de 2018

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É raro (ou raríssimo) hoje uma multinacional da música investir em artista novo fora do esquadro pop/brega, seja ele sertanejo, forró, pagode, funk ou derivações dos mesmos temas. Por isso, espanta o aparato de lançamento da Universal para a baiana radicada no Rio, Illy, no disco “Voo longe”, produzido por Alexandre Kassin e Moreno (filho de Caetano) Veloso, ex-integrantes do trio pop vanguardista +2 com Domenico Lancellotti (que participa como baterista).

Iniciada no grupo Samba Dibanda, aluna das Oficinas de Canto da UFBA e da Escola Baiana de Canto Popular, ela exibe sua voz leve e cristalina, na linhagem de Gal Costa/Marisa Monte/Vanessa da Mata, mas sem decalcar nenhuma delas. A novata estréia em grande estilo, após uma web serie de endossos, em clipes gravados com Caetano Veloso, Fagner, Roberta Sá e Chico Cesar.

No disco, há mais apoios, como o de Gerônimo (“É d’Oxum”), logo no embalo da abertura, “Sombra da lua” (Jota Velloso/ Alexandre Leão): “cada uma com seu firmamento/ de doçura e sol/ eu quero um amor de ouro e pemba”. Escoltada pela guitarra paraense de Felipe Cordeiro, Illy esbalda-se na sátira, na salsa “Djanira” (Arnaldo Almeida/ Jarbas Bittencourt/ João Luiz), história de uma muambeira de marijuana do Paraguai, presa ao tentar trazer a erva escondida nas cascas de 36 balaios de banana. Ou a marcha frevo sapeca “Fama de fácil” (Luciano Salvador Bahia): “eu caio em tentação bonita/ na hora/ na lata/ não precisa muita poesia/ qualquer hai kai me rapta/ chiclete, cinema, carona, convite/ conversa que não vai pra canto nenhum/ já me deixa no limite”. Do rock balada em escalas de guitarras, “Que foi my love?” (Djavan) à bossa lânguida com intromissão percussiva (quando a letra fala em carnaval), “Devagarinho” (Arnaldo Antunes), Illy parece pairar nas canções, acima de limites estéticos.

Da sincopa do samba “Enquanto você não chega” (Cesar Mendes/ Pretinho da Serrinha/ José Carlos Capinam), com Dadi Carvalho no ukulele, ao afoxé mobilizador, “Afrouxa” (Arnaldo Antunes/ Betão Aguiar/ Pedro Baby), o zouk em espirais “Ela” (Arnaldo Almeida) e a sambossa “Olhar pidão” (Ray Gouveia), Illy mostra-se apta a um voo longo, como sugere o título de seu disco. Pronta para uma escalada sem contra indicações ao panteão das divas da MPB.

Além da co-produção, Moreno Veloso traz seu cello para a faixa “Baleia”, de Alberto Continentino e Jonas Sá, responsável pelos synths da faixa. E opina:

“A simplicidade de Illy vem amparada por sua força e beleza. Sua voz nasce com todas essas características e dá forma a uma artista brasileira daquelas que todos deveriam se dar a sorte de encontrar”.

A cantora encara o desafio:

“Depois de três anos estudando, garimpando e amadurecendo, o resultado deste disco me enche de alegria. A minha vontade é que ‘Voo longe’ ajude a fortalecer o cenário da MPB contemporânea. E que as pessoas dancem, riam, sofram e vençam ouvindo o disco”, deseja. 



Fonte da imagem: Saraiva | Capa do álbum "Voo Longe"

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